domingo, 9 de abril de 2017

Todos merecem uma nova chance, inclusive o Goleiro Bruno


* A esposa do goleiro Bruno o espera na saída do cárcere. 
- Crédito: gazetapress.com

*Conceição Cinti 
O goleiro Bruno estreou ontem e foi muito bem apesar das pressões que vem sofrendo. Aqui no Brasil banalizamos a arte de restaurar pessoas, e somos levados a acreditar que apenas coisas, obras de arte e logradouros públicos são possíveis de restauração. Entretanto, esse entendimento faz parte da cultura punitivista do pais. Mas é perfeitamente possível à restauração de pessoas, e o Brasil tem resultados exitosos nessa complexa área desde meados dos anos 60. (Comunidades Terapêuticas).

segunda-feira, 27 de março de 2017

É preciso estabelecer metas aos profissionais que lidam com dependentes em SPA


Sem uma referência adequada de como trabalhar corretamente, esses profissionais continuarão impossibilitados de assistir, acolher, restaurar e reinserir os dependentes químicos com sucesso!




Para que o tratamento de dependentes de Substâncias Psicoativas (SPA) tenha resultados positivos, é preciso garantir um amplo entrosamento de todos os segmentos que têm conhecimento e experiência nesse tipo de enfermidade. Ou seja, nos assuntos pertinentes à drogadição, precisamos de uma atuação em rede por parte de todos que têm a obrigação de assistir, acolher, restaurar e reinserir os dependentes químicos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

É tempo de dependência recíproca, nós precisamos uns dos outros para assegurarmos pelo menos um patamar aceitável da violência e mortes que nos espreitam diariamente

*Conceição Cinti
Deixe seu bom legado nesse mundo. Você pode fazer isso, qualquer um de nós pode e deve fazer isso. Faça isso trabalhando pela sua vizinhança, pela cidade onde você vive. Não espere só pelo Prefeito e os vereadores da sua cidade. Junte se a eles ajudando de alguma forma e também fiscalizando para que na sua cidade as prioridades sejam atendidas.
Que a nossa ideologia seja a busca incessante pelo bem estar, a dignidade e a melhoria de vida de todos os nossos concidadãos, principalmente das pessoas de baixa renda, e aqueles sem nenhuma renda.
Da nossa cidade, através das nossas boas atitudes podemos e devemos influenciar uns aos outros começando pelos da nossa casa, comunidade, e até servir de inspiração para o mundo. Esse mundo que sentimos a cada dia, mais violento, desprovido de amor ao próximo, e movido apenas pela ganância: Dinheiro e Poder.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Assuntos que não podem faltar na agenda política de um candidato a vereador


Assuntos que não podem faltar na agenda politica de um candidato a vereador.
 
*Conceição Cinti
 
Há alguns temas/fatos que pela sua relevância social nacional precisam está incluído na agenda de cada candidato a vereador que concorrerá no próximo pleito eleitoral no Brasil, como, por exemplo: A educação de qualidade, em regime integral, e a situação do menor em confronto com a Lei (essa última precisa  ser encarada com a coragem e da forma adequada, (o que nunca antes foi feito) através de educação especial, como já vem sendo atendidas outras categorias de crianças e adolescentes já contempladas pela nossa legislação. E é obvio que para solucionar a questão da Educação em geral, e da Educação Especial, dois assuntos de vital importância e urgência para o Pais, não há como resolvê-los sem cumprir todos os direitos e a dignidade que é devida aos mestres, hoje, tão humilhados.
Ao todo no Brasil temos 5.561 municípios. É uma verdadeira cocha de retalhos maiores, médios e pequenos. Portanto, no Brasil concorrerão ao cargo de vereador mais de 60.521 candidatos. Caro leitor, procure saber quantos vereadores à lei prever para sua cidade. O meu saudoso esposo, Sidney Cinti definiu o vereador como sendo: “a pessoa mais próxima, e no mesmo nível de poder do Prefeito, cujo objetivo ao ser eleito, é ver a dor do povo, e levar suas demandas para serem solucionadas pelo executivo”. Ou seja: a primeira lupa sobre os problemas prioritários das massas carentes deve ser, e sem dúvidas são, os olhos de um vereador atento e compromissado.
Há muitos anos eu não tinha essa visão e nem muita noção da importância das eleições para prefeito e vereador. Mas asseguro que este tema deve preocupar a todos: Pobres e ricos.  Por que I? E por que II?
Por que I?
O Prefeito quantitativamente representa mais os pobres e miseráveis (maioria dos votos vêm das massas pobres), mas na pratica, não é a esta categoria de pessoas que dedica a maior parte do que é arrecadado nos municípios com os impostos e taxas, além das verbas das mesmas fontes, que lhe são repassadas pelo Estado e a União.
Por que II?
Porque é através do dinheiro arrecadado dos impostos e taxas que o Administrador Público vai poder melhorar a qualidade de vida dos munícipes em geral. É verdade, que ao se tornar Prefeito de uma cidade, esse cidadão (ã) passa a responder pela gestão dos Recursos Públicos para melhoria de vida de ricos e pobres.  Também é vero, que as pessoas ricas independem do dinheiro público para ter qualidade de vida. Não precisam das creches e escolas públicas, nem da saúde pública, nem das casas populares, transportes públicos, cursos profissionalizantes gratuitos, praticas esportivas e entretenimento para suas crianças, adolescentes e seus jovens, etc. luz, esgoto e água tratado, guia de sarjeta e asfalto. Já os pobres para adquirirem tais prioridades ficam totalmente a mercê do executivo, sua única fonte de provisão. Em geral as pessoas abastadas têm todos estes recursos às próprias custas, mas necessitam sim, de algo muito precioso, mas que ainda não se deram conta: Precisam de Paz e Segurança, para poderem desfrutar seus bens. Contudo, com raríssima exceção, são os ricos e os detentores do Poder, muito gananciosos e egoístas (Vide Lava-Jato e Políticos de todos os matizes envolvidos). Apesar, de tão antigo quanto óbvio, pobres e ricos dependem um do outro. Desde que o mundo é mundo, e é salutar que continuem, mas com civilidade e justiça social. O Capital e a Força do Trabalho não fossem a ganância desmedida, dos mais ricos, não necessariamente, deveria ser antagônicos entre si. O equilíbrio entre eles é imperioso para a consciência da formação de uma sociedade mais sadia humanista e justa imprescindível para a paz entre os povos. O problema reside mesmo na ganância e no egoísmo. O povo pobre precisa ser priorizado em suas necessidades básicas e de dignidade. Salta aos olhos que inverter essa ordem é a origem do efeito “Bumerangue” que vitima com violência e morte a todos.
*Conceição Cinti. Advogada e Educadora. Especialista em dependência de Substancias Psicoativas e Delinquência Juvenil. Com experiência de mais de três décadas.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Lula: Casa Civil ou presídio de Curitiba? STF: “Decifra-me ou te devoro”


Recomendo esse artigo do Jurista Luiz Flávio Gomes: Absurdamente didático estimula a reflexão sobre a gravidade do momento político/jurídico/midiático, sempre apontando referências e fundamentos numa primorosa conduta imparcial   

Lula: Casa Civil ou presídio de Curitiba? 

O Brasil em chamas discute se Lula será ministro da Casa Civil ou se será preso preventivamente (por tentativa de obstrução ou interferência na Justiça, quando pede influência no voto da ministra Rosa Weber). Tudo está nas mãos do Supremo Tribunal Federal, que pode tanto se firmar como instituição moderadora confiável como acabar de incendiar o país, se não for convincente (dentro da legalidade) em suas decisões, que não podem ser vacilantes, estimuladoras de instabilidades jurídicas e sociais.
Lula Casa Civil ou presdio de Curitiba STF Decifra-me ou te devoro
Tanto o impeachment quanto as decisões do STF, se não convencerem, as classes sociais abastadas padecerão o mesmo nível de insegurança das classes sociais da base. Os caçadores de hoje poderão se tornar a caça amanhã (Ignácio Cano). Por isso que o momento histórico do STF é delicadíssimo: o clima conflagrado só é comparável com a época do suicídio de Getúlio (1954) – ver Ilimar Franco.
Os partidos tradicionais também estão sendo condenados pela população (não somente o governo lulopetista). Não há confiança nos política da República Velhaca. Nesse contexto, o STF pode tanto desativar o estopim da guerra de classes que está inteiramente desenhada (proferindo decisões convincentes, dentro da legalidade) como pode cumprir (no Brasil) o papel que representou para a primeira Guerra Mundial o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina).
Na peça Édipo Rei, escrita por volta de 427 a. C. Pelo dramaturgo grego Sófocles, era apresentada aos viajantes a terrível esfinge que lançava um enigma: “Decifra-me ou te devoro”. Ou o STF decifra tudo quanto está sendo “judicializado” ou será devorado. O protagonismo do STF (e dos juízes), em quase todo o mundo ocidental, tornou-se incontestável. O século XIX foi dos legisladores; o século XX foi do Executivo; o século XXI é dos juízes. Tudo se judicializa (todos conflitos vão aos juízes, particularmente os políticos). E o fundamental é que o juiz não se partidarize.
Nos próximos dias o STF será chamado para decidir se afasta ou não o sociopata Cunha da presidência da Câmara, se receberá ou não (finalmente) a denúncia contra Renan Calheiros e se saberá limitar a Lava Jato aos estritos binários do Estado de Direito. Institucionalidade ou discricionariedade (tendente à arbitrariedade)?
O STF saberá combater o câncer da corrupção cleptocrata (dos poderosos) e preservar, ao mesmo tempo, a democracia? Será independente a ponto de garantir a submissão ao império da lei dos barões ladrões ultrapoderosos, que sempre se colocaram acima da lei? Saberá evitar o risco de nulidade da Lava Jato (que segue a metodologia da prisão, delação, vazamentos e apoio popular) ou deixará que tudo corra à vontade (ao sabor dos ventos) para no final dizer que nada valeu (tal como no processo Satiagraha, Castelo de Areia etc.)? Como a população conflagrada receberia a notícia de nulidade da Lava Jato?
O STF vai ou não se dobrar às classes corruptamente perigosas (que sempre contaram com a impunidade como regra inerente ao “sistema”)? Reformará ou não eventual decisão do TSE de cassação da chapa Dilma-Temer, por abuso do poder econômico e corrupção na campanha questionada de 2014? Terá isenção para presidir a “judicialização da política”? Saberá distinguir a autonomia do juiz da sua mais canhestra e nefasta politização (politização da Justiça)?
Teori Zavascki disse (com maestria) que “o juiz não pode ocupar o protagonismo dos holofotes; o papel do juiz é resolver conflitos, não criar conflitos”. O STF saberá cumprir seu papel constitucional, sem se partidarizar? Será discreto ou vai cair na devassidão do palavreado chulo? Aplicará corretamente as teorias ou também vai confundir Hegel com Engels?
Com suas relevantíssimas decisões fará eco ao poder moderador ou ao populismo midiático? Como se posicionará frente aos gritos de “golpistas”? Fundamentará suas decisões a ponto de convencer a sociedade brasileira de sua sobriedade, prudência e equilíbrio na interpretação da Constituição?
Será contundente ou apaziguador diante da fala de Lula de que o STF é um “tribunal acovardado”? Colocará ou não o guizo nos discursos e decisões nitidamente partidários de alguns dos seus ministros? Deixará ou não Moro se perder juridicamente em razão da emocionalidade de cada momento? Se converterá em fonte de paz (que o país tanto almeja) ou estimulará a espiral da violência política que tende a fabricar incontáveis cadáveres?
Saberá ou não conter a oclocracia (governo irracional da opinião pública emotiva), tomando decisões contramajoritárias para preservar a Constituição
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e a democracia? Ou também vai se perder no vendaval das emoções e seguirá a onda populista de cada momento? Será um tribunal recatado, imparcial, ou tomará partido na luta fraticida que polarizou o país de norte a sul (e que está na iminência de começar a matar inúmeras pessoas, em uma guerra de classes)?
Será um tribunal da imparcialidade ou partirá para o ativismo judicial aloprado, substituindo os demais poderes? Se Lula for ministro, atuará com independência na sua investigação? Como vai contornar o clássico problema da sua escandalosa morosidade, que a população tanto recrimina e deplora? Como investigar e, eventualmente, processar Aécio, Renan, Jucá, Temer, Lobão, Collor, Raupp, Aloísio, Mercadante e outras dezenas de parlamentares sem cair em descrédito pela morosidade?
Saberá enfrentar com serenidade outras possíveis disputas políticas e jurídicas em torno do impeachment da presidente Dilma (que agora está tramitando com celeridade)? Deixará ou não os juízes de primeiro grau incendiar as ruas, ainda que para a defesa de movimentos constitucionalmente sustentáveis numa democracia?
Saberá conter o apetite humano pelo poder (quanto mais poder se tem mais poder se quer)? Se alinhará com nosso movimento contra a corrupção de todos (todos!), dentro da legalidade, ou deixará o país descambar para a anarquia jurídica e social? Saberá conter os excessos da justiça midiática ou justiceira (veja nosso livro Populismo penal midiático)?
Encampará a visão neocolonialista de que a democracia é um joguete nas mãos dos poderosos que “compram” os mandatos dos legisladores e governantes ou sustentará a tese de que ela é um instrumento contra o absolutismo medieval?
Se o STF permitir que o necessário combate à corrupção se concretize fora da legalidade, pagaremos alto preço por isso. Os fins não podem justificar os meios. Ao mesmo tempo, todas as vezes que as estruturas sociais são questionadas, o desejo de vingança de quem quer manter o statu quo se agudiza (assim foi contra Bruno Giordano, Galileu, Martin Luther King, Ai Wei Wei e tantos outros).
Para onde vamos? O STF não é o único responsável pelo nosso destino nesse momento de agudas crises, mas tem o poder de sinalizar os caminhos da civilização ou deixar que prospere a barbárie (que já está desenhada). Quo vadis?
CAROS internautas que queiram nos honrar com a leitura deste artigo: sou do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) e recrimino todos os políticos comprovadamente desonestos assim como sou radicalmente contra a corrupção cleptocrata de todos os agentes públicos (mancomunados com agentes privados) que já governaram ou que governam o País, roubando o dinheiro público. Todos os partidos e agentes inequivocamente envolvidos com a corrupção (PT, PMDB, PSDB, PP, PTB, DEM, Solidariedade, PSB etc.), além de ladrões, foram ou são fisiológicos (toma lá dá ca
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) e ultraconservadores não do bem, sim, dos interesses das oligarquias bem posicionadas dentro da sociedade e do Estado. Mais: fraudam a confiança dos tolos que cegamente confiam em corruptos e ainda imoralmente os defende.
*Você pode publicar: Artigo para Livre Publicação em Sites, Revistas, Jornais e Blogs

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Meninos de Rua






Meninos de rua

*Conceição Cinti

Vulneráveis, essas crianças e adolescentes são levados e colocados à disposição do Poder Público e, ao invés de serem acolhidos, lhes subtraem a essência do ser humano.

Ao contrário dos meninos ricos que na maioria das vezes se perdem dentro de suas próprias mansões pela falta de limites e excesso de riqueza, os meninos pobres do Brasil se perdem nas ruas à míngua e ignorados muitas vezes por aqueles que têm o dever de acolhê-lo, com ele se envolver, se importar e cuidar, afinal, é para isso que recebem dos cofres públicos. Completamente abandonados e à mercê da sorte são despojados de todos seus direitos diante de uma sociedade preconceituosa, egoísta e nada solidária. A imagem de menino que não tem valor muitas vezes é reforçada pela mídia populista e, o mais grave, com a permissão do Poder Público é achincalhado com palavras de ordens do tipo: “monstros, irrecuperáveis, prisão perpétua ou morte é o mínimo”.
Vulneráveis, essas crianças e adolescentes são levados e colocados à disposição do Poder Público e, ao invés de serem acolhidos, lhes subtraem a essência do ser humano. É por essa razão que às vezes olhamos para uma criança que cronologicamente ou biologicamente é uma criança e já não vemos nela um menino ou uma menina, pois tudo que conseguimos enxergar é um ser repulsivo ao convivo social e rejeitado. Para que se possa olhar e enxergar uma criança em alguém que já foi mutilado na sua dignidade é necessário que tenhamos a responsabilidade e a sensibilidade de identificar na sua alma as feridas causadas pela indiferença de uma sociedade egoísta e posteriormente destroçada por um Poder Público deliberadamente fraco e inoperante no cumprimento de sua obrigação de acolher e tratar meninos e meninas, tendo em vista a falta de compromisso com a dignidade humana das pessoas de baixa renda que são a maioria das crianças e adolescentes presos desse imenso país pobre.
O documentário denominado “Meninos de Rua” demonstra a trajetória das crianças que viviam nas ruas de Belo Horizonte (MG) nos anos de 1980. Já se passaram 23 anos dos episódios retratados nesse documentário e apenas recentemente as autoridades brasileiras admitiram a epidemia de drogas no Brasil, fazendo alguma mobilização para combater essa situação e cujos resultados, na prática, ainda são ínfimos em relação a grande demanda de dependentes.
Portanto, é forçoso reconhecer que o mais provável é que o número de crianças mortas durante essas décadas de indiferença do Governo esteja além do que se possa imaginar. Além disso, o elevado número de meninos e meninas em tenra idade dependentes de drogas continua sendo uma realidade apesar dos esforços do poder público para suprimir deliberadamente as estatísticas que comprovam esta situação que persiste em acontecer porque pouca coisa ou quase nada foi construído para acolher essas crianças e adolescentes além de mais unidades de cumprimento de medidas socioeducativas.
O Colégio Salesiano, de Minas Gerais, já entendia naquela época que esse assunto requer a solidariedade de todos para que possamos salvar nossas crianças, o futuro do Brasil. Contudo, a situação de Minas Gerais é apenas um fragmento do descaso, da desumanidade com as crianças e adolescentes brasileiros de baixa renda em todos os Estados da nossa Federação. Essa situação vem sendo denunciada por mim como “O Holocausto Brasileiro”, onde crianças, adolescentes e jovens são mortos todos os dias sem que nenhuma providência seja tomada para evitar esse morticínio.
É dever salientar que temos grandes dificuldades para levantar estatisticamente o número desses desvalidos menores de 15 anos, que se iniciam nas ruas como dependentes químicos e posteriormente se envolvem com a criminalidade para custear sua dependência. Por essa razão, esse documentário produzido por pessoas idôneas, como é o caso da direção dos Salesianos e da pessoa de Dom Bosco, é de extrema relevância para que possamos tomar como base concreta para defender esses meninos que vivem à margem de todos os seus direitos.
Nas estatísticas oficiais constam apenas menores, a partir de 15 anos de idade. Porém salta aos olhos, que apesar das mortes precoces virem acontecendo a decádas é grande em todos os Estados da Federação o números de crianças comprometidas como o uso de drogas e trabalhando para o tráfico de drogas, que podemos até dizer que no mundo comtemporâneo, se tratar da modalidde mais perversa do trabalho escravo, como tão claramente nos elucida outro documentário igualmente relevante denominado "Falcão, meninos do tráfico", produzido por iniciativa (privada) e com a participação do Rapper MV Bill.
Para combatermos e dominarmos uma endemia necessitamos de um diagnóstico real, transparente, para podermos utilizar todas as estratégias necessárias e adequadas à situação a fim de atingirmos o controle da realidade e só assim ter condições reais de combater com eficiência e obter sucesso.
Portanto, ao sonegar informações a respeito da real situação do comprometimento de crianças entre seis e dez anos de idade em situação e risco iminente de mortes violentas em razão das drogas não é apenas vergonhoso para o país, mas se constitui um crime grave contra essa parcela indefesa da população, o que torna necessária uma investigação por parte do CNJ e demais organizações, inclusive internacionais, para que cesse o horror do que venho denominando de “O Holocausto Brasileiro”.
Das ruas, esses meninos e meninas de baixa renda, dependentes químicos e já em confronto com a lei, e sobre os quais o Poder Público não mantém deliberadamente um rígido controle sobre quantos são de fato, têm seus destinos traçados nessas instituições públicas em total vulnerabilidade e à disposição do Poder Público, ao invés de serem acolhidos e recuperados.

Advogada e educadora. Precursora da Educação Restaurativa, com experiência de mais de três décadas em tratamento de dependentes de substâncias psicoativas e em delinquência juvenil. Palestrante e autora do blog http://educacaorestaurativa.blogspot.com.br